Abriu o jornal e sem entender muito porque parou na sessão de obituários. Logo na primeira coluna uma foto que chamou sua atenção. Buscou no fundo das memórias e finalmente reconheceu o rosto. Era ela! A menina que ele trocou um beijo pela primeira vez, aos 11 anos e meio. Isso mesmo, deu seu primeiro beijo com 11 anos e meio. E lá estava ela, a boca que iniciou sua vida amorosa. Morta. Com velório e enterro marcados para aquele mesmo dia. Logo ali, há uns 6 quarteirões. Decidiu que iria. Arrumou-se, perfumou-se, penteou os cabelos já brancos e foi. No caminho ficou a pensar o que faria. Não sabia. Só sabia que ia e foi. Quando chegou ao local não havia ninguém. Apenas o caixão, o corpo e um cheiro forte de rosas. Aproximou-se, fitou-a por uns segundos, chegou mais perto, levantou o véu transparente que cobria o rosto dela e a beijou os lábios, mais uma vez e pela última vez. Parecia sentir a mesma emoção do primeiro beijo. Sentiu o coração acelerar, mais e mais. A vista embaçou e caiu ali mesmo, ao lado do caixão, morto.
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