Brigaram feio. Trocaram ofensas. Usaram as armas mais pesadas e feias, um contra o outro. Saíram. Cada um para um lado, no meio da multidão, sem olhar pra trás. A raiva era tanta que talvez fossem capaz de se matar ou se amar. Uma hora depois ele estava no escritório. Mais calmo, admirando a beleza da cidade lá de cima, do andar mais alto, do prédio mais alto da ilha. Ela sentada numa cafeteria, mais calma, conseguia avistar o prédio em que ele trabalhava. À distância, quase dava pra ver, ou imaginar, a sala dele. E essa distância transformava a raiva em quase nada, e ela quase ria da briga. Pensou em ligar. Mandar uma mensagem. A raiva estava pequenininha, mas aquele danado do orgulho tinha fincado o pé e não parecia ceder. Olhou para a rua e de repente um estrondo. Gritos. A vista do prédio não havia mais. Fumaça. Muita fumaça. Imóvel. Mais um estrondo. Os estrondos pareciam a raiva que cada um continha dentro de sim. Mas era tarde. Era tarde.
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