Era plena quarta-feira e decidiu largar tudo. Pai, mãe, amor, filhos, cachorro. Não levou nada da antiga vida, nem a roupa do corpo. Trocou corte de cabelo, sotaque, jeito de andar. Pediu uma passagem pela distância, sem perguntar onde ia parar. O atendente disse que não podia vender uma passagem assim. Fechou os olhos e apontou um lugar no mapa no meio do oceano Índico. Uma ilhazinha que ele nem sabia que existia. O atendente vendeu a passagem e perguntou onde preferia sentar. Respondeu que não tinha mais preferência. Embarcou. Horas de avião, conexões, pessoas diferentes, idiomas diferentes, mundos diferentes e sentiu-se finalmente diferente, sentiu-se ele mesmo, como não se sentia desde que sentiu o ar quase explodir seu pulmão pela primeira vez. Estava pronto, podia voltar.
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