Dentro do metrô, ouvindo sua música alta nos fones de ouvido, sentia-se em uma bolha. Protegida, invisível e confortável. A música parecia ecoar dentro dela e sentia a paz de quem morre. Calada, quieta, quase imóvel. Tentava adiar a chegada ao seu ponto, como quem tenta prolongar o gozo recém descoberto. Parece não enxergar ninguém ao redor e sente-se sozinha, solitária e feliz. Finalmente pode respirar. E pensar que tudo é incerto e que pode facilmente não descer na sua parada e continuar até quem sabe quando, enche-a de entusiasmo. Duas paradas e chegará sua hora. Duas rápidas paradas. Poderia descer antes. Poderia descer depois. Mas até a música parece prever a iminência de sua saída. Despede-se do vagão, como quem se despede de si. Por um curto momento pôde ser ela mesma. Ali, sentada, foi completamente ela.
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